O impacto ambiental e o coronavírus: canais de Veneza voltam a ficar limpos


             Vários estudos evidenciam que o meio ambiente degradado proporciona condições favoráveis para que novas doenças surjam. Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), de 2016, mostra que o diagnóstico de doenças transmitidas de animais para seres humanos, as zoonoses, está aumentando cada vez mais e pioram a medida que habitats naturais são destruídos pela atividade humana e ameaçam o bem-estar animal e humano e a integridade do ecossistema.
            Existe uma forte relação entre ecossistemas e doenças infecciosas. As florestas agem com soluções para combater o avanço da crise climática e a perda da biodiversidade, que por outro lado, quando são desmatadas tem o efeito contrário: emitem gases do efeito estufa, comprometem e tiram o habitat natural de espécies, podendo levar até a extinção destas. Quando ocorre um desequilíbrio ambiental, diversos agentes infecciosos, conhecidos e desconhecidos, podem surgir pela aproximação do homem com animais e afetar os humanos com patógenos novos ou pré-existentes, que mediante ao desequilíbrio estão se espalhando muito rápido, os quais o homem tem pouca ou nenhuma imunidade desenvolvida, podendo nos infectar, causar surto e espalhar doença por aí.
            Um dado interessante para entender esta relação entre o desmatamento e o aparecimento de doenças se encontra no relatório recente publicado pela agência dos EUA para o desenvolvimento internacional. Desde 1940, 31% do aparecimento de surtos de doenças emergentes e zoonóticas está ligada a mudança do uso do solo, ou seja, insistir em desmatamento facilita o aparecimento de doenças que podem se transformar até em pandemia, pois a perturbação ao meio ambiente está ligada a surtos como do coronavírus.
            Com a pandemia do Sars-CoV-2 e a necessidade de adotar a quarentena houve uma redução da atividade comercial e industrial, o que tem repercutindo na diminuição dos problemas ambientais. Estudos mostram queda de 25% nas emissões de dióxido de carbono na China desde início da pandemia de coronavírus. Na Itália, imagens de satélite conseguem calcular a incidência de dióxido de nitrogênio, substância formada a partir da combustão, e mostram o declínio das emissões desses gases e, em Veneza, com ausência de turistas, os famosos canais da cidade voltaram a ter água mais clara e nítida, conforme a imagem abaixo.

               Após restrições de viagens e quarentena na Itália, os canais de Veneza voltam a ter água cristalina. Fonte: Pattaro,2020.

            Diante de tudo isso é válida a reflexão sobre como nós, seres humanos, podemos atuar de forma mais racional e mais responsável para com o meio ambiente, no grande impacto ocasionado pelo desmatamento e também repensar o nosso modo de vida e o consumo desenfreado, para impedir o surgimento de novas doenças.


REFERENCIAS:

FERREIRA, Yuri. Coronavírus: imagens mostram mudanças impressionantes no céu da Itália. Disponível em: < https://www.hypeness.com.br/2020/03/coronavirus-imagens-mostram-mudancas-impressionantes-no-ceu-da-italia/> Acesso em 05 abri. 2020.

GIMENES, Erick. Ação humana contra o meio ambiente causou a pandemia do coronavírus, diz pesquisador. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2020/03/18/acao-humana-contra-o-meio-ambiente-causou-a-pandemia-do-coronavirus-diz-pesquisador> Acesso em 5 abri 2020.

Surto de coronavírus é reflexo da degradação ambiental, afirma PNUMA. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/surto-de-coronavirus-e-reflexo-da-degradacao-ambiental-afirma-pnuma/> Acesso em 5 abr. 2020.

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